21.1.09

Para ti





Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto

Um comentário:

Inominável Ser disse...

Uma só vida, uma só esperança, uma só tarde, Infinitos Caminhos Da Alta Alegria Do Amor Mais Alto E Verdadeiro!

Agradeço-lhe pelo comentário de apoio no Jardim, Zana, a Sandrinha, junto contigo, são as que mais gostam do que escrevo. Falo nela no presente porque ela continua a me acompanhar, eu não tive coragem de exclui-la da lista dos que acompanham meus blogs. Ela está verdadeiramente viva agora, mudou apenas de Plano.

Tenhas um excelente dia, Zana, e obrigado pela sua amizade.